terça-feira, 17 de março de 2020

Bibliofilia




Apesar de se ter noção de que o amor pelos livros e pela escrita remonta desde que a homem começou a colecionar manuscritos e a formar bibliotecas, a primeira grande menção na literatura surge em 1344, por meio do arcebispo Richard de Bury, que também foi chanceler e tutor de Henrique II, na Inglaterra. Ele escreveu um verdadeiro tratado de amor e cuidado para com os livros que ficou mundialmente conhecido como Philobiblion, do grego – Philo (amor) e Biblion (livro).

Ao longo do estudo e das leituras, encontramos algumas definições que refletem o estado de ser daqueles que possuem bibliofilia – ou seja, dos bibliófilos - bem como em algumas das definições diferenciando o bibliófilo do bibliomaníaco.

O primeiro é sempre o puro de coração, tomado de amor pelos seus livros, o que faz com que cuide deles como se fossem o maior tesouro do mundo, pela sua raridade, beleza, encadernação, pelo seu conteúdo etc., enquanto que o segundo é sempre visto como um indivíduo tomado pelo desejo incontrolável de possuir livros e mais livros, mas sem se importar em lê-los ou absorver algum conhecimento, em alguns casos tomados por ansiedade ou como um distúrbio mental.

Citando o bibliógrafo alemão Hans Bohaster: “O bibliófilo é o mestre de seus livros, o bibliomaníaco seu escravo”.

Segundo Charles Nodier:
Seguindo a mesma linha de raciocínio entre bibliófilo versus bibliomaníaco:

Traduzindo à letra, um bibliófilo é um amante de livros. Conheço muitos bibliomaníacos, com verdadeiras e colossais bibliotecas, mesmo com alguma raridades, para quem o livro constitui apenas um divertimento ou um investimento, compram livros como quem compra laranjas, pelo aspecto e pelo peso. Ora o bibliófilo não é apenas aquele que tem livros do século XV e XVI, ou de outras épocas recuadas. Para os ter, basta possuir dinheiro (existem muitos bibliomaníacos com verdadeiras fortunas em livros, que deles não tiram qualquer proveito, pois nem sequer os sabem ler, ou têm tempo para os catalogar e arrumar. Contudo, ajudam a preservar o patrimônio).

A bibliofilia também está intrinsecamente ligada à leitura, como ilustra a Castro Alcântara: Não se ama de fato os livros sem cultivar o costume da leitura. O verdadeiro bibliófilo é antes de mais nada um leitor contumaz. Distingue-se do bibliômano, que se apraz em comprar e colecionar livros raros, pelo prazer da posse, sem valorizar os conteúdos. O colecionismo estéril, individualista, é apenas um ativo atraente e um símbolo de prestígio social, despojado da chama que anima a bibliofilia autêntica: o espírito do leitor.

No entanto, o que está por trás da Bibliofilia não é o apego excessivo à leitura, mas o amor pelos livros, simplesmente por serem livros, assim como existem pessoas que colecionam e admiram outras coisas como flores ou filmes, por exemplo.

Um bibliófilo não consegue viver sem seus livros, apesar de “loucura mansa”, geralmente não chega a ser um distúrbio, como na bibliomania.

Autor: Fernando Mustafá
Original AQUI